Havia mesmo um anjo que agitava a água no tanque de Betesda?

Um anjo agitava mesmo as águas do tanque de Betesda ou isso era lenda?


(1) Era época de uma das festas dos judeus e Jesus subiu para Jerusalém (João 5:1). A narrativa nos indica que Jesus foi até a região da Porta das Ovelhas onde ficava um tanque de cinco pavilhões chamado de Betesda, uma palavra hebraica que significa “casa das Oliveiras” (João 1:2). O texto narra que neste local existiam muitas pessoas sofridas com várias doenças, sendo coxos (pessoas com problemas nas pernas), cegos, paralíticos (João 1:3).

(2) O detalhe mais interessante da narrativa bíblica é o motivo que levava essas pessoas a estarem ali naquele lugar: “esperando que se movesse a água. Porquanto um anjo descia em certo tempo, agitando-a; e o primeiro que entrava no tanque, uma vez agitada a água, sarava de qualquer doença que tivesse” (João 5:4). Existia uma forte crença de que um anjo fazia um certo movimento naquelas águas e o primeiro que entrasse seria curado de qualquer enfermidade.

(3) Boa parte dos manuscritos mais tradicionais não consideram João 5:4 como parte do texto original dos escritos do apóstolo João. Inclusive, algumas traduções (por exemplo, a de João Ferreira de Almeida Revista e Atualizada) traz esse versículo entre colchetes [~] para que isso fique claro. No entanto, esse trecho aparece em alguns manuscritos antigos. De qualquer forma, esse é um trecho da Bíblia que é considerado em diversas traduções que temos, por isso, vamos considera-lo como parte da Bíblia em nossa análise.

Hipóteses sobre a descida do anjo no tanque de Betesda

(4) Sendo assim, podemos levantar pelo menos duas hipóteses:
a) A primeira seria que realmente no tanque de Betesda havia essa ação de um anjo de tempos e tempos agitando a água e que as pessoas da época até mesmo conheciam as pessoas que haviam sido curadas ali (fato não narrado no texto bíblico, mas possível), por isso, a crença forte de que haveria a possibilidade desse anjo aparecer ali em determinado momento e curar alguém. Isso explicaria a quantidade de pessoas que estariam ali buscando essa bênção.
b) A segunda hipótese é que essa história de que um anjo descia no tanque de Betesda e agitava as águas era uma crendice popular que, de tantas vezes que fora repetida, acabou se tornando algo realmente crido pelas pessoas. Baseados nessa crendice, até mesmo um movimento na água feito pelo vento poderia ser interpretado como sendo um anjo chegando ali. Sabemos que isso não é difícil de acontecer, pois temos diversas dessas crendices populares hoje em dia em nosso mundo. Isso explicaria a esperança que fazia com que várias pessoas ficassem ali aguardando o tão sonhado dia que nunca chegava. Talvez todo esse movimento de pessoas ali gerasse lucros para pessoas que poderiam explorar o local de alguma forma e que alimentavam ainda mais essa lenda.

(5) A hipótese mais aceita é a segunda, porém, considerar que o fato era uma crendice popular nos leva a questionar: por que algo que era crendice popular e que não acontecia de fato foi registrado na Bíblia? A resposta a essa pergunta é que muitas passagens da Bíblia são descritivas, ou seja, elas estão descrevendo algo como aconteceu e não fazendo um juízo de valor se aquilo era certo ou errado. Ou seja, o autor estava contando a história como ela aconteceu, sem escrever qualquer julgamento sobre ela, pois o foco dele era outro.

(6) O fato é que essa informação sobre se havia ou não um anjo que descia às águas do tanque de Betesda não é o foco principal da narrativa de João. O foco principal era apresentar mais um grande milagre de Jesus Cristo, que foi apresentado como o Senhor Todo Poderoso, capaz de curar doenças incuráveis e capaz de restaurar a esperança perdida de um homem que sofria há trinta e oito anos de uma paralisia (João 5:5) e que não tinha ninguém que o colocasse naquela água (João 5:7) e, portanto, não tinha esperanças de uma mudança positiva em sua vida. A esperança no Cristo é a única esperança que pode realmente nos trazer resultados e nos curar.

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